Quando os nossos recursos ganham

Nem filme, nem livro. Essa semana, vamos de comportamento humano. Vamos da infeliz cultura do "cancela". Vamos falar da contribuição dos traços de caracteres, de vida no recurso.

Pela Análise Corporal, não há traço bom ou ruim, mas recurso bem utilizado.

Terminou ontem o BBB21. Eu não assisto e nem farei propaganda aqui para o programa. Mas, eu não quero deixar passar esse belo exemplo do que é viver no recurso, algo de que nós analistas estamos sempre falando.

Será que foi o sotaque, será que foi a beleza, será que foi a sensatez, será que foi a autenticidade, ou será que ela chorava demais? E porque o choro de um adulto te incomoda tanto? O choro de uma criança também te incomoda?

Você deve estar se perguntando aí: "Gente, o que tem isso a ver?"

Ah, tem tudo a ver.

Vai lendo e pensando o que de tudo isso, que te incomoda mais.

Guarde bem isso. O que você julga no outro, diz muito mais de você do que dele.

E vamos lá. Nem irmã que faleceu, nem mãe doente. Vítima? Não mesmo. Quem se faz de vítima, busca aliados. Juliette não mendigou por aliados.

Ela foi autenticidade pura. Acreditou desde sempre nos seus valores e verdades. 
Resiliente, ela ressignificou na medida certa, cada tropeço. E se refez a tempo do próximo. Repleta de dor e tentando compreender cada paulada.

Ela sofreu a dor da rejeição, do abandono, da humilhação, da troca. Foi injustiçada e colocada à prova.

Agora, imagine viver isso durante cem dias, com pessoas que você nunca tinha visto na vida. 

Não muda muito a realidade que já vivemos. Na sociedade do "cancela", o que não falta são pessoas para julgar e se achar melhor que as outras. Grupos a se formar em prol de uma causa, "anular" alguém.
 
Será que isso é novo? Jesus Cristo que o diga!

Um dos traços da Juliete, a Oralidade, teve sua dor mais exposta: o abandono. Em diversos momentos, ela esteve rodeada de pessoas, mas sentia-se sozinha, abandonada, com um vazio que nada foi capaz de preencher.

Foi humilhada por seu sotaque. Como é mesmo o nome disso?  Não importa. Pra mim é infantilidade mesmo.

Outro traço, que fala forte nela, fazia com que sempre que se expusesse, fosse trocada. Pessoas autênticas não vivem de agradar às pessoas e por isso, costumam ser canceladas. 

Ser quem você é tem um preço. Mas, você nem precisa saber de Análise Corporal, para concordar comigo. Não ser quem você é, custa muito mais caro. E o público entendeu isso, mesmo sem compreender o porquê.

Por isso, falamos tanto da importância dos ambientes serem favoráveis. Mas você só consegue encontrá-los quando se conhece e conhece as pessoas. Quando você sabe onde te cabe e porquê. Mediante essa informação, você consegue ir se adequando às pessoas e aos ambientes que te levam pro recurso. Você escolhe melhor e a vida te sorri.

Nunca haverá um vazio, se você se encontrar. Nunca será rejeitado(a), se você se conhecer e souber se recolher e acolher. Nunca conseguirão te manipular, se você estiver seguro das suas verdades. Nunca vão te humilhar se você souber separar o que é peso seu e dos outros. E se te trocarem, não vai doer tanto, se você for seguro(a) de si.

Nunca mude seus valores, sua essência para agradar a ninguém. Mude o que julgar que é importante, necessário para sua vida ser melhor, para fazer melhores escolhas. Escolha melhor as pessoas e os ambientes. E quando uma coisa ou outra não for possível, aprenda a compreender pessoas e ambientes e a se interpretar neles.

Que você, assim como Juliette, escute mais o som do seu coração. Não o som dos tambores, sem ritmo. Mas o som da orquestra sinfônica, harmônico e límpido, no ritmo das suas verdades e aflições. Ser forte não é demonstrar força, autoritarismo. Ser forte e dominar-se. A sua paz pertence somente a você.

Parabéns, Juiette. Você é dona própria paz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Você Não É Vítima Da Sua História

A Despedida

Pais Desnecessários