O Sonho Dos Seus Antepassados É Você

Essa semana eu planejei falar de This is Us, mas fui surpreendida por "Era uma vez um sonho", que estava guardadinho me esperando e eu sempre acabava escolhendo outro filme. Mas, esse fim de semana, não teve escapatória. 


Então, bora começar citando Bert: "Tú és o sonho de todos os seus antepassados" - Bert Hellinger. E é em torno dessa frase de Bert, que vem a minha reflexão.

Baseado em uma história real, o filme "Era uma vez um sonho", está disponível na Netflix e é sem dúvida um filme Sistêmico, que nos permite ricas reflexões.

Primeiramente, quero destacar que o filme é um recorte do livro que retrata toda a história real. E teve um foco maior nos dramas familiares e no dilema do jovem Vance em viver sua vida ou se prender aos problemas familiares. 

Em segundo lugar, quero destacar o fato de que é muito comum as pessoas julgarem os comportamentos umas das outras, sendo que todos nós e boa parte dos nossos comportamentos, estão ligados a eventos passados. Assim, o filme torna-se uma oportunidade de ampliar nosso olhar sobre o que pode ser conceituado como famílias desestruturadas, pais e mães narcisistas e tóxicos.

Ao longo do filme, fica muito nítido, como aquilo que rejeitamos, evitamos ou até "odiamos", acaba sendo reproduzido em nossas vidas, sem que percebamos.

Dentre vários conflitos entre mãe e filha, por exemplo, Bev, filha de Lindsay, em reprovação às atitudes da mãe, diz em determinada cena do filme, que jamais terá filhos para não correr o risco de fazer as coisas como a mãe faz. Porém, ela acaba tendo três filhos e descontando suas frustrações nos mesmos.

Mas, a história concentra-se em Vance, um filho que tem nas mãos, a oportunidade de escolher se repete ou dá um fim às histórias de dor e fracasso de sua família.

Me toca muito a forma como o mesmo lar que te marca de forma negativa, também pode te dar a lição mais positiva. Vance teve essa oportunidade por meio do convívio com sua avó. Ciente de sua autoresponsabilidade nos eventos ocorridos naquele núcleo familiar, no lugar de se justificar e "passar a mão" na cabeça do garoto, a avó dá grandes lições ao neto. 

Embora os maiores em um núcleo familiar tenham a função de dar e os menores de receber, é importante que os mais jovens percebam que não precisam esperar por amor e reconhecimento. O maior ato já lhes foi dado, a vida. Cada membro de uma família tem a sua forma de nos ensinar a ter postura diante da vida. Alguns são mais duros, outros mais afetuosos. E todos tem a sua forma de expressar amor. Isso inclui mostrar um futuro diferente, com escolhas diferentes das que foram feitas até o momento.

Quando os mais jovens percebem, que apesar de algumas posturas dos mais velhos, eles possuem mais recursos e que por isso podem fazer escolhas melhores, o caminho fica mais leve.

Vance sai de casa em busca de um futuro melhor, e como acaba rejeitando seu passado, escondendo sua história, aquilo que ele rejeita vem à tona e ele se vê em uma situação importante com a mãe. Isso o faz voltar para casa a fim de tentar solucionar a questão.

Neste retorno, ele se depara com seus próprios abismos e acaba reconstruindo o caminho que lhe trouxe até ali. E diante de tantos momentos decisivos, ele acaba percebendo que se ele não perdoar as pessoas e sua história familiar, não conseguirá se libertar do passado. Neste momento, ele se vê entre se libertar ou ficar emaranhado em lugares, histórias e escolhas que não lhe pertenciam.

As vezes, nos afastar do núcleo que nos gerou, pode dar a alguns a sensação de ingratidão e abandono. Porém, os filhos não podem salvar os pais, não lhes cabe isso. Podemos abrir mão aqui e ali, mas essas escolhas são ineficazes, pois resolvem problemas temporariamente e a longo prazo tornam todos infelizes. Viver a vida do outro, não realiza os nossos sonhos.

E como diz um professor meu, Elton Euler, "nenhuma mudança acontece no mundo quando ela depende de todo mundo".

Por mais "perfeita", que uma família possa parecer, de uma forma ou outra, ela nos deixa dores, traumas e marcas. Porém, quando acolhemos a nossa história e paramos de buscar os culpados, encontramos nossa autoresponsabilidade por nossas escolhas. E assim, cumprimos a maior das missões, sermos de fato o sonho dos nossos antepassados. Quebrarmos com as amarras, tirarmos as cascas, sem ter que romper com o que foi criado, mas conscientes da bagagem e utilizando-a como insumo para escolhas mais saudáveis e felizes.

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