Como vai o controle de qualidade do seu ruído?
Você se considera uma pessoa ansiosa? Tem muitas conversas internas? Então, o texto desta semana é para você.
Trago uma reflexão sobre o filme "Mundo em Caos" (Chaos Walking), uma adaptação do livro com o mesmo nome, escrito por Patrick Ness. Falo sobre a reflexão social e psicológica, que grita por debates e ações.
A história do filme, se passa em 2257 e o maior desafio na época seria controlar o ruído. Você vê alguma semelhança com os nossos dias?
Eu diria que o ruído do filme vem de longa data. Já no início, somos apresentados a características de um mundo e de pessoas, muito próximo do que estamos vivendo. E, como não poderia faltar no caos, um antigo pré-conceito.
Mundo em caos gira em torno do ruído. Propõe, que um mundo governado pela voz do homem é puro caos. E que enquanto a mulher for um silêncio, não haverá evolução real. Porém, mostra isso, com a morte de centenas de mulheres em uma certa comunidade, da qual elas foram exterminadas por não apresentarem ruído assim como os homens, e por isso foram consideradas uma ameaça. Não saber o que as mulheres pensavam seria como não poder controlá-las.
O ruído então representa a sociedade que nos cerca, uma sociedade criada por homens e para homens. Será que é assim? Pergunte a uma mulher.
E você? Tem muitos ruídos ou possui controle total sobre eles?
Há alguns anos, li um livro com uma temática muito parecida com a desse filme. Trata-se de "O Poder do Silêncio.", de Eckhart Tolle. O livro propõe que o poder do silêncio está em nos libertar de nossos próprios pensamentos, dúvidas, medos, desejos, eliminando as tensões vividas no passado e as expectativas em relação ao futuro e a tudo aquilo que não podemos controlar. Deixa claro, que só no presente, no agora, estamos capazes de descobrir quem realmente somos, alcançando assim a paz e a alegria que estão dentro de nós.
Eu sou uma pessoa muito falante, quando em ambientes saudáveis. Entenda, que pela Análise Corporal, os ambientes saudáveis são aqueles onde você pode ser quem é, sem o risco de ser criticado ou julgado por isso. Assim, se o ambiente está propício, a minha oralidade pode existir e se comunicar à vontade.
Também sou uma pessoa que pensa demais. As vezes de forma muito racional, analisando o ambiente, as pessoas e meus próprios pesos, medindo quando e com quem posso me abrir. Outras, costumo ser emotiva e me deixo levar pelo momento, pela impulsividade. E como disse, se não encontro esse espaço, eu me reservo inteira aos meus pensamentos. E olha, eles são mirabolantes, dão um filme. Mas eu não me orgulho muito disso, não. Por quê? Porque cansa, cansa demais.
Quando estou pensando demais, perco o filtro. E como diz o filme, sem filtro, sou só caos em movimento. E tem muita gente assim pelo mundo. Daí a quantidade de pessoas ansiosas. Não é atoa que a ansiedade é considerada o mal do século XXI.
Fazer silêncio com as palavras, não é um grande desafio para mim. Mas, silenciar a mente ainda é. Há um ano e meio eu iniciei a prática de meditação. Me ajuda muito a centrar, me conhecer melhor e aprender a selecionar o que vai e o que fica. Além disso, após a Análise Corporal, eu me conheci melhor e agora consigo medir cada ambiente, apenas pela leitura do corpo das pessoas. Isso em uma guerra, é o mesmo que reconhecer o território "inimigo".
Você deve ter achado essa parte um pouco pesada. Então, você deve ter se perguntado: "Isabella, você enxerga todo ambiente como um campo de guerra?"
Não. Apenas faço uma analogia com outro livro, "A arte da guerra". Se você não leu fica a dica também. No autoconhecimento, além de nos conhecer também é fundamental conhecermos as outras pessoas para sabermos relacionar melhor com elas.
Voltemos ao filme. Silêncio externo não quer dizer silêncio interno. E para muitos o desafio está aí, educar os ruídos, domá-los. Se nós já somos julgados por como nos expressamos, imagine se as pessoas soubessem o que pensamos.
E é aí que está o cerne dessa reflexão. Precisamos compreender, que nós não somos os nossos pensamentos. Compreender isso, nos ajuda em várias áreas da vida. Agora imagine viver em um mundo, no qual você seria capaz de ouvir o pensamento/ruído de todas as pessoas e não conseguir controlar totalmente o seu próprio ruído.
Como seria o controle da privacidade? Imagine, que você além de ouvir, pudesse ver o pensamento das pessoas. E que o mesmo acontecesse com relação a você. As pessoas poderem ouvir e ver seus pensamentos.
Diante disso, você necessita ou não, controlar seus ruídos?
Pense bem!
Você não deve se preocupar com o que as pessoas pensam sobre você. Isso é problema delas. Pare de viver de fora pra dentro. Cada opinião emitida a seu respeito, vem imbuída de uma série de julgamentos da outra pessoa.
Domar seu próprio ruído é se autoconhecer, saber suas emoções e possíveis reações a cada situação e pessoa.
Independente das situações que você já viveu, cada uma foi um degrau a mais para sua evolução. Sejamos sempre gratos por tudo que deu errado, pois nos permitiu evoluir.
O mundo vive hoje uma epidemia de ansiedade, porque as pessoas vivem presas a seu passado e amedrontadas por seu futuro. E isso acontece, porque estão tão limitadas aos ruídos que as consome no presente. Seus pensamentos tornaram-se sua prisão. No lugar de viverem o hoje, anseiam por algo que não sabem se virá. Deixam de viver o fundamental e por isso não desfrutam do essencial.
Na vida há coisas que são essenciais, outras que são fundamentais. Definir, entender e por em prática cada uma delas é muito importante para que a vida tenha sentido. O essencial, não se pode viver sem (situações, sentimentos, emoções, experiências), sem as quais você estaria incompleto. Mas o fundamental, nos permite chegar ao essencial. Trata-se da lição de casa que temos que fazer, trabalho a realizar, desafios e obstáculos a transpor, as oportunidades pelas quais tanto ansiamos. As coisas fundamentais são do contexto ter/fazer. Já o essencial está ligado ao ser/sentir.
São direções opostas, mas para sermos felizes, elas precisam se cruzar, pois só assim, o fundamental faz surgir o essencial.
Assim, o que é fundamental precisa de foco e sentido. Um plano de ação, um método, um roteiro, um mapa, ou seja lá como você ache mais adequado denominar.
Pense se você acumula em sua vida, mais oi fundamental do que vive o essencial.
Quando tentamos pagar a vida na mesma moeda das escolhas ruins que fazemos, continuamos focados no fundamental, no que é efêmero e não evoluímos ao essencial. Dessa forma, nossas vidas deixam de gerar valor, e perdem o seu sentido.

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